quarta-feira, 8 de maio de 2013

O QUE SE FALA NÃO SE ESCREVE E VICE-VERSA

O QUE SE FALA NÃO SE ESCREVE E VICE-VERSA

Fiquei boquiaberto ao tomar conhecimento que o livro “Por Uma Vida Melhor” havia emplacado. Para quem não lembra em 2011, eu acho, o então Ministro da Educação Fernando Haddad, avalizou o livro da professora Heloisa Santos que legitimava a forma popular de falar.
Bem, o livro acabou sendo liberado com essa nova orientação e foi distribuído para 485 mil estudantes, entre crianças e adultos. 
Então Agora é oficial, o que antes se apresentava de forma sutil à população agora é notário. Lembro-me de reportagens, artigos, frases ou qualquer escrito de brasileiros conscientes, dando conta de que para aspirações políticas de um grupo dominante seria imperativo que o povo permanecesse em estado de abstinência cultural, eu mesmo já fiz referências a esta forma hedionda de perpetuação do poder. Até então parecia especulação de um grupo subversivo que visava desestabilizar a boa “ordem pública”. Porém agora, não pode mais haver contestação a essa forma de agir, pois eles conseguiram tornar a coisa oficial. 
Aconteceu como todos esperavam, afinal é consenso que toda mudança comportamental de um povo principie pela educação, então, foi justamente aí que cirurgicamente deu-se a incisão com o título lúdico “Por uma vida melhor”. Não poderia ser mais eficaz, trata-se de um livro onde se ensina como não falar o português corretamente no dia a dia, ou seja, é o manual criado para “emburrecer” oficialmente o povo.
Segundo uma reportagem da Folha, o livro “Por uma vida melhor” justifica, no entanto, que é preciso tomar cuidado com o contexto em que se usa esta ferramenta nova, para que o autor não seja vítima de "preconceito linguístico". O conteúdo também coloca nas escolas a responsabilidade de ensinar aos alunos as convenções ortográficas e as diferenças de variedades linguísticas, registro oral e escrito da língua, ou seja, o professor que mal tem tempo de viver, agora tem mais um desafio pela frente, o de educar de forma correta o que o governo destorce propositadamente.
O ex-ministro Fernando Haddad, é o nome do intelectual que incentivou esta aberração. Ele me fez lembrar o Rogério Magri e seus neologismos truculentos. 
Chamado a dar explicações, conseguiu piorar o que já estava ruim. “Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente”. Não satisfeito com a infeliz idéia do kit gay, exacerbando a homofobia, criou o ainda não propalado preconceito linguístico.
Certo disso é que agora o governo assumiu que a ignorância interessa, não disfarça mais a tendência a “emburricar”. Não houve se quer uma consulta popular para que se alterasse o idioma, vai ver que eles não entenderam o sentido da palavra democracia, onde o povo deve participar das decisões, ou então acham que o povo ainda não é “burro” o bastante para opinar.
O Kit gay, não pegou, aliás, pegou... mal, daí esqueceram o assunto antes que se tornasse incontrolável seu repúdio, mas de mansinho conseguiram fazer com que os filhos dos menos favorecidos pelo acesso, sejam mais uns a engrossar as massas manobráveis, pois não terão condições de interpretar um simples texto por tratar-se de um libelo hieroglifado por conveniência tendenciosa, que segundo o próprio Haddad classifica como linguagem culta, portanto não interessa que o povo interprete com exatidão.
Mas como tudo que o governo faz, segundo seus partidários mais fervorosos, tem sempre uma conotação visionária, talvez a mudança no idioma, explique o fato do ex-presidente Lula ser o mais novo colunista do New York Times.

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